(Francisco
Otaviano) Quem passou pela vida em branca nuvem E em plácido repouso
adormeceu, Quem não sentiu o frio da desgraça, Quem passou pela vida e não
sofreu, Foi espectro de homem - não foi homem, Só passou pela vida - não
viveu.
QUANDO VIER ME
VISITAR
Quando vier me
visitar Traga flores, Muitas delas... Porém, não me traga apenas
flores: Não se esqueça de juntar a elas A beleza do seu sorriso, A
ternura do seu olhar, A força do seu abraço. O calor dos seus
beijos...
Quando vier me visitar, Traga flores, Muitas
delas... Mas não esqueça de tirar-lhes Os espinhos que
machucam, As folhas envelhecidas, Os galhos secos, As dores
embutidas...
Quando vier me visitar, Traga flores, Muitas
delas... Perfumadas, coloridas, alegres: Todas parecidas com
você! Quando vier me visitar, Traga você por inteiro... As
flores? Nem sei se vai precisar! Autora:
Débora
Bellentani
Divagações sobre o mesmo tom
Quantas de nós já não quis ser o "mim" da "canção que você fez para mim" cantada por Roberto Carlos. De todas as canções... Letras simples, cheias de amor, no entanto, podem revelar caminhos perigosos. Muitos deles, não vistos e nem notados por mulheres – e por que não – homens apaixonados. Falo aqui do perigo ou da beleza das interpretações das palavras. Vamos tomar como exemplo a bela canção abaixo. E divagar... Divagar muito!
Perdoa Composição: Roberto Carlos
Perdoa Não leve tão a sério o que eu te disse Eu só queria que você me ouvisse E de repente me descontrolei e gritei
Eu sei Te acostumei de um jeito tão bonito Que você não suporta quando eu grito Mas é verdade tudo que eu falei
Não queira Que eu seja como manda o figurino Nem me castigue assim como um menino Eu só gritei mais forte o meu amor
Não faça
De conta que com isso não se importa Me abrace, esqueça tudo e feche a porta Me diga o que quiser, mas por favor
Perdoa Eu sei que em nosso amor você acredita Então apaga tudo, volta a fita E bem mais tarde a gente vai dormir
O que parece um pedido de desculpas ingênuo pode fazer com que reflitamos sobre o quanto podemos ou devemos perdoar. Quantas vezes é possível fazer de conta que não se está magoada ou triste porque, de alguma forma, somos agredidas verbalmente e não temos a coragem de falar. Algumas desabam em lágrimas. Outras gritam mais alto ainda e aí a situação pode ficar caótica. Algumas se resignam ao silêncio e a dor parece que vai fazer implodir tudo: coração aperta, peito aperta, estômago dói e o medo cala... Medo de reagir. Tudo é ruim quando alguém grita com a gente. Mas nada é pior do que quando esse grito vem de quem amamos. Mesmo que seja para "gritar mais forte o seu amor"... E nem sempre é possível abraçar, voltar a fita e ir dormir mais tarde... Não sem antes se dizer o que se sente... Sem antes falar que se está triste... Porque não dá para ir para a cama com um nó na garganta! O prazer do sexo não apaga a dor da alma!
Sim, eu também faço essas coisas! E pensando bem, acho até que está sendo legal. Mesmo fazendo a opção por ser autodidata. Só uma coisa me deixou invocada: aquela história de sinalisar o local do acidente contando passos largos, de acordo com a velocidade permitida no local e dobrando em dias de chuva. Logo imaginei um acidente chegando quase no final da estrada que leva à Tapiraí. São 348 curvas! Levando-se em conta que a velocidade máxima seja 60Km por hora eu teria que contar 60 passos largos. Considerando-se ainda que, havendo uma curva tem-se que suspender a contagem para reiniciar logo após seu final, lá iria eu começar do zero e, logo a seguir, já ver iniciar a próxima curva. Algumas coisas provavelmente aconteceriam nesse interim: se houvesse vítimas graves no local do acidente, elas certamente morreriam por falta de socorro. Eu, provavelmente, subiria a serra inteira e voltaria a Piedade tentando achar um lugar para sinalizar e não encontraria, o que colocaria em risco os acidentados, meu carro e os demais motoristas que trafegariam pela estrada. Isso se eu não morresse antes de conseguir porque, cá entre nós, não tenho preparo físico nem para andar um quarteirão!Hahahaha. Brincadeiras à parte, é óbvio que em momentos como este, usamos o bom-senso. Damos um jeito. Nem sempre é possível cumprir ou levar à risca todas as regras. Observando-se a segurança de todos, é possível achar uma saída. Tudo bem que o livro justifica que cada cálculo foi feito por especialistas, mas, cá entre nós, é muito fácil traçar regras por trás de uma mesa. Imagine você ter que desviar do ciclista que está na contra-mão, passar um metro e meio dele e desviar do pedestre que insiste em sair da calçada - e que muitas vezes o faz porque as calçadas estão em péssimo estado e/ou são verdadeiras armadilhas: na minha rua, uma é feita de piso, daqueles bem lisos. Nem preciso esclarecer né?... E voltando ao ciclista: tenho que desviar dele a tal distância o que, fatalmente, me fará invadir a pista oposta, já que as ruas são para lá de estreitas, em especial nos novos loteamentos, para se ter mais espaço às casas e se ganhar mais dinheiro com elas... Rua com faixa dupla contínua... E se eu bater num outro carro por causa de desviar do ciclista - o que estava certa, mas invadi a faixa dupla - no que estava errada, posso atropelar o pedestre que chega no outro lado da calçada. E a única responsável continuo sendo eu: a condutora do veículo! Será que não está na hora de dividir responsabilidades? Bjs. Um lindo dia.
Fiquei tempo sem vir por aqui. Sem passar ao menos. Também, depois do que disse aí em baixo, precisei de muito fôlego para respirar. Também parei para uma auto-análise... Parei para ver até quando e quanto vale a pena dar amor sem nada em troca. Aí fica óbvio o quanto perdemos tempo com essas coisas enquanto a vida passa - ou "a fila anda" como diz a moçada. E para mim não se trata da fila dos amores, mas sim, da fila dos dias que seguem rápido, da vida que teima em voar baixo... Não dá mais para ficar vivendo do ontem, nem muito menos do amanhã. Hoje é tudo, absolutamente tudo o que importa. Quero e serei feliz agora, com o que tenho e com o que desejo. Bem, mas esta é apenas uma rápida passagem. Tenho tanto para dizer. Coisas que vi nestes dias passados e que me inspiraram a escrever sobre elas. Por enquanto, fica a dica: Amazonia - a música do Roberto Carlos. Atualíssima! E a letra de Mucuripe (um pequeno detalhe dela) feita por Fagner para Roberto Carlos. Muito pano para manga. Ou melhor: muitas letras para boas palavras. Enquanto não volto, fiquem com as fotos dos meus "netos". Não vale rir! Aguardo os babies de verdade chegarem - um dia!... Por enquanto, fico feliz com estes. rs
Este é o Frank. Dormindo. Uma raridade!
Esta é a Pink, namorada do Frank. Ambos filhotes da Fabi e do Rica.
Esta é a Emily. Da Samantha e do Fer. Charmosíssima.
Há tanto o que lembrar sobre o primeiro amor. Sobre aquela pessoa com a qual sonhamos casar, constituir família, ficar ao lado para sempre e para o que der e vier. Hoje, fiquei lembrando sobre o ele. Não aquele amor platônico com o qual sonhava mas, aquele com o qual fiz planos de ser feliz, mesmo sem que ele soubesse... Com ele, descobri que para sempre poderia não existir. Deveria ter aprendido a lição e ser realista. No entanto, quanto mais os anos passam, mais percebo que, inevitavelmente, será para sempre! Apesar da distância, dos rumos diferentes, do quanto mudamos - porque não somos mais aquelas pessoas que se conheceram entre a adolescência e a juventude. O que mais me lembro dele, são as mãozinhas: pequenas, quase infantis, com os dedos gordinhos, como as dos bebês rechonchudos dos comerciais de TV. Como eu gostava das suas mãos! E daquele jeito menino de inclinar a cabeça antes de sorrir! Ele falava pouco e dizia muito. Sabia ouvir. Quando indignado, fechava os olhos e cerrava os lábioss, chacoalhando a cabeça. Tinha uma risada maravilhosa. Coisas assim ficam em nós! Não há como esquecer. Que bom que ambos seguimos os nossos caminhos em busca da felicidade separadamente. Assim, não nos decepcionamos um com o outro e ainda podemos lembrar do que fomos e sorrir sozinhos, nos nossos momentos de solidão.
Daqui alguns dias faço 50 anos. Levando-se em conta a jornada humana, tenho ainda mais uns 20 anos por viver. Durante minha existência tão tumultuada, lotada de histórias para contar, percebi que não sei se a pessoa que está aqui agora é a mesma que viveu todos esses anos. Fiz coisas que nunca imaginei fazer. Desafiei conceitos. Agi, em muitos momentos, como se não fosse eu: foi exatamente aí que pratiquei atos que iam contra os meus princípios. E ir contra os princípios é muito grave. Podemos chamar isso de “pecado", pois, realizamos coisas as quais não fazem parte do que acreditamos ser certo ou errado e isso nos faz muito mal... Nos faz até, adoecer! Se eu cometeria os mesmos erros? Com a experiência de hoje, NÃO! Eu gostaria muito de pedir perdão a tanta gente. Gostaria de ter tomado outros rumos. Gostaria de ter ido mais ao encontro dos meus sonhos. De ter sido menos influenciada pela família e seguido o meu coração. No entanto, entre um tropeço e outro, talvez eu tenha seguido o meu coração! Ah! Eu havia planejado uma festa com alguns amigos! Infelizmente - ou felizmente - a demissão me impediu de fazer a comemoração – sem grana não dá! Hoje, tenho absoluta certeza de que muitos a quem eu considerava amigos sequer lembrarão a data! a pior descoberta ao se fazer 50 anos é a do tamanho da solidão. Será que fui uma pessoa tão cruel assim? Que nem percebi o quanto passava para as pessoas um ar de arrogância descomunal? O pior, é que nada foi intencional. Sempre fui de dizer o que pensava. Tive o meu próprio senso de justiça! Fui ética ao extremo e ninguém percebeu. Pelo contrário: achavam que não! Mas sempre vislumbrei o outro lado das coisas. Lembro-me de uma vez em que disse a um amigo que eu era uma pessoa ponderada e ele sorriu ironicamente me dizendo: Ponderada? Foi a primeira vez que percebi que fazia as coisas sem pensar muito nelas! Que era extremamente impulsiva ao tomar decisões. Fazia e pronto. Depois pagava o preço. Devo desculpas a pessoas maravilhosas! Mulheres fortes e corajosas as quais superestimei, até notar que elas eram tão frágeis quanto eu. Nunca quis destruir nada a não ser a mim mesma. Era como se eu me castigasse pelos meus erros. Como se quisesse vingar-me do peso que a infância me colocara nas costas e o qual eu carregaria para sempre. Foi preciso muita análise até mudar o foco. Hoje, estou chateada por perder o emprego o qual tanto amava. Magoada por descobrir que, chega um dia, em que, por mais forte que seja uma amizade, ela não resiste à força dos números e das cifras. Estou insegura do meu talento mesmo sabendo que entendo do que faço como poucos! Às vezes, nem sei por onde recomeçar! Às vezes, quero esquecer tudo e fazer de conta que nunca exerci a minha profissão. Mas é quando me pego dando conselhos de comportamento frente a problemas de comunicação, quando me vejo, informalmente, dando diretrizes para amigos e parentes nas condução das suas carreiras, quando analiso uma situação de mercado e encontro uma saída ágil em questão de minutos, que ressuscito o melhor de mim! Sim, eu tenho uma agência! Eu e meu filho abrimos uma. Mas, sozinha, não se vai a lugar algum! E ainda se esbarra na burocracia de um órgão chamado CENP, que regulamenta a atividade profissional, exigindo de quem começa uma equipe, uma estrutura e uma carteira de clientes para que se possa receber as comissões de veiculação – Ah! E ainda cobra por isso! Cobrar de quem não tem?! Um procedimento injusto para quem começa do zero! Um procedimento que só favorece a quem já está estabelecido no mercado. Tá vendo? Cá estou eu sendo sincera, falando o que penso. Dizem que uma mulher de 40 anos pode tudo! Pensando assim, uma mulher de 50 pode o que? Com certeza não é descansar! Com certeza não é passar os dias no limbo! Eu achava que havia perdido o pique, até ir a uma balada na quarta-feira passada e me deliciar na pista de dança onde o DJ caprichava nas músicas dos anos 90 para baixo! Não se espantem, mas saí antes de chegar aos 70s!Rindo aqui! Estranho ver o espaço reservado ao público jovem - dois salões enormes, lotados de gente bebendo e fumando, com uma música de chacoalhar todos os ossinhos do corpo e, pasmem: PARADAS! Parecia-me aqueles bailinhos dos tempos de adolescência dos meus filhos onde homem ficava de um lado e mulher do outro, encostados na parede ou batendo papo ao invés de dançar! Mesmo porque, cá entre nós, não dá para bater papo numa balada, né? A gente tem mais é que ir e se movimentar... Para quem bebe é uma boa, porque até a bebedeira passa! Mas quem é uma quase - por muito pouco! - cinqüentona para falar sobre baladas? Rindo de novo! E por falar em baladas, acho que aceitarei o convite da minha nora Samantha e do meu filho Fernando para curtir uma balada na danceteria deles em são Paulo - a ToyLounge! Um lugar alternativo, cheio de gente interessante, bonita, alto-astral... Será que agüento o tranco? Bem, para quem escreve com tanto trema quando a gramática está em vias de virar no avesso só para se adaptar ao mundo, sei não! (Quando vamos aprender a defender o que somos e ao que é nosso, ao invés de aceitarmos ser o que os outros são? Algum americano já ousou dizer que seu Inglês precisa ser igual ao da Inglaterra? E haja diferenças!). Queridos amigos, leitores, meus filhos e noras, genro, vocês sabem que sou assim: questionadora! Alguns gostam de dizer: chata! Rs. No entanto, defendo a soberania como símbolo máximo da liberdade. A vida inteira sou a careta que acha que a culpa da falta de educação dos alunos em salas de aula, das pessoas no transporte público ou no trânsito, do desrespeito aos idosos, ainda é dos pais: vem de dentro de casa! Educação vem de casa. Aprendizado da escola. Aí vêm as escolas particulares e querem misturar os dois: quem decide o que é melhor para os que me cercam sou eu! A diretriz de cada família constrói a sociedade. E a família está se acabando por intermédio dos namoramentos (neologismo para esses casamentos que, apesar das pompas, não duram um ou dois anos. À troca de maridos e esposas como se namorar fosse constituir família). Casar e ter filhos é constituir família. Ter responsabilidade um sobre o outro é constituir família! Transmitir essa responsabilidade é constituir família. Independentemente de papéis oficiais ou igrejas lindamente decoradas! Não existe um casamento, nem o amor, se não somos capazes de ajudar aos nossos parceiros nas dificuldades! Nem que tenhamos que levar uma vida fazendo isso. Amar é isso! O resto não passa de paixão, tesão ou seja lá o que for. Às vezes as circunstâncias podem levar à separação: certas situações nos obrigam a uma decisão. Mas é preciso se ter certeza de que tudo foi tentado antes de seguir em frente. Talvez vocês achem que isso é coisa de velha! Não, não é! Há muitos jovens que pensam dessa forma por aí e sentem medo de se expressar em razão da pressão da maioria, das tribos que confundem liberdade com libertinagem! A fase de transição de um país da opressão para a libertinagem já passou. Chegou a hora de transformar o lugar onde vivemos num mundo melhor, sem ser esse que a TV apresenta sob o disfarce de responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, e essas coisas com mais cara de marketing para vender serviços do que ação propriamente dita! Vixe! Nasci, cresci, plantei árvores - muitas delas! Escrevi livros... Será que estou fazendo uma revolução? Com certeza não! Apenas botando pra fora o que os 50 anos de vida foram me mostrando. Sem neuras. Sem amargor. Mesmo porque a vida continua e é preciso encará-la com muito bom-humor! (Olha o hífen ai, gente!) Um beijo. A partir do dia 20 entro no Reino de Alice, no País das Maravilhas e passo a comemorar desaniversários! Haja festa!Hahahahahaha.
Um dia, você acordará sem o abraço de domingo, sem os conselhos tão oportunos, sem o olhar de reprovação por cima dos óculos, sem a companhia para o chá da tarde, sem as histórias da sua infância na ponta da língua, sem a represália pelo ato impensado, sem a bronca por chegar tão tarde e não avisar antes, sem aquela eterna mania de achar que conhece todos os chás, todos os remédios para as suas dores, sem ver o tricô sobre a poltrona ou a toalhinha de crochê embrulhada para presente, sem os bolos de fubá, os bolinhos de chuva, o cheiro de café invadindo a casa e, principalmente, aquele sorriso maroto que a tudo perdoa. Nesse dia, perceberá o quanto fazem falta as pequenas coisas. E o quanto eram imensos todos os momentos. Notará o quanto precisava daquelas pequenas discussões, aparentemente tão desnecessárias. E então, se arrependerá de não ter feito mais. De não ter estado mais presente. De não ter sido o presente todos os dias do ano. De não ter tentado enxergar pelos olhos dela. Mas não se preocupe: mesmo distante, ela compreenderá a sua aflição e, de alguma forma, pedirá a Deus que lhe envie um anjo, só para deixar um beijo na sua face antes do sono chegar. E nos seus sonhos, aparecerá sorrindo, dizendo com a mesma voz paciente dos dias mais difíceis: - Minha criança, não fique triste! Ser sua mãe foi a minha missão. A mais bela de todas as missões. E tenho um imenso orgulho desse presente maravilhoso que o Senhor me agraciou. Fique em paz, porque embora ausente, estarei sempre velando por você. Sim, mães são assim mesmo: poeticamente verdadeiras e tão cheias de amor, que nos surpreendem mesmo quando achamos que não há mais nada. Ver a mãe da gente partir faz-nos rever cada minuto da nossa existência. E descobrimos - como elas descobriram ao nos verem crescer e nos transformarmos tão rapidamente em adultos - que o tempo passa muito depressa, por isso é importante aproveitar cada minuto. Não deixe as flores para os túmulos das suas mães: deixem todas elas agora, neste dia, neste momento, esparramadas pelas casas delas, pelas varandas, pelos jardins. É no dia de hoje, no agora, que precisamos entender nossas mães. Amanhã, pode ser tarde demais!
Débora Bellentani - maio de 2008 Para a minha mãe, Lázara Clarinda Bellentani, que partiu em 1995 deixando muita saudade, com o meu pedido de perdão.
Eu tenho por São Paulo uma estranha relação de amor e ódio!
Ódio pelo que não posso mudar.
Amor, pelo que a cidade me representa.
Ela é mágica!
Seus prédios antigos me fascinam, os modernos me encantam. Como caipira do interior, não resisto olhar para cima e deliciar-me com aquela sensação de vertigem ao apreciar as construções tão próximas do céu! Arranhando o céu!
Paquerando as nuvens... Hum... Nuvens... Gosto de paquerar as nuvens também!
Sou assim, meio avoada, às vezes... Nas nuvens... Distraída ou apaixonada, sigo com elas.
Vôo... Sim, decolo na imaginação e vejo todos os detalhes, mesmo nos trilhos do metrô.
São Paulo é uma paixão antiga. Primeiro amor de menina guiada pela mão do pai.
Primeiro amor adolescente ao sentir a liberdade de poder viajar sozinha pela primeira vez e encarar o desafio da cidade-grande, de andar por ela, observar suas gentes de todos os tipos, hoje, de todas as tribos. Era uma São Paulo menor, mas não tão diferente. Tinha menos violência...
Apesar dos tempos modernos, o encanto continua.
Em São Paulo você pode ser você mesmo!
Pode fazer suas escolhas.
Pode exercer a democracia de ser diferente.
Esta caipira, toda vez que desembarca na Barra Funda, ainda se emociona. Nunca se sabe o que virá pela frente: frio, calor, chuva, garoa ou tempestade. Mas de qualquer forma a cidade é intrigante. Há poesia nos vãos das calçadas abandonadas, nas trincas dos prédios desbotados pelo tempo. Dos espaços mais inusitados nascem flores. Nasce verde. Nasce vida.
São Paulo é o berço da criatividade!
Sinto-me em casa. Só não quero morar lá.
Porque a cidade, para mim é como a casa dos pais que se visita depois de algum tempo ausente, onde somos sempre bem-recebidos, paparicados e amados, simplesmente por estar ali. É um lugar para ficar na lembrança, para viver momentos inesquecíveis, para aproveitar os espetáculos da vida, para curtir a cultura e aprender muito. É um lugar ao qual a gente ama mesmo que o tempo passe, passe, passe e passe. E ao qual sempre desejamos retornar.
Meu terninho vermelho pendurado na porta do guarda-roupa deixava a marca do meu perfume - NOA, espalhando-se no ar e era a prova concreta da minha solidão.
Não, não estava abandonado.
Eu apenas não queria guardá-lo, porque se o fizesse, estaria colocando no armário da minha vida mais um momento especial.
E eu saberia que, após fechar a porta, não mais o teria de volta.
Sei que ficaria a lembrança. Mas eu não quero a lembrança: quero tudo outra vez.
Não importa se foram minutos ou segundos. Importa que foram.
Havia cumplicidade explícita até no silêncio.
Difícil é esta sensação de que ficou tanto o que dizer. Mesmo no silêncio.
Será que eu sou assim porque sou escritora ou sou escritora porque sou assim?
Nesta semana, meu amigo Newton Spinardi - que gentilmente está distribuindo meu Max pelo Estado de São Paulo afora - veio em casa buscar mais exemplares. Todo animado, ele entregou-me duas matérias sobre o desfile da Ellus na capital paulistana, realizado nas dependências da antiga Estação Júlio Prestes. Eu já havia visto a matéria na TV e, apenas comentei com ele que achara muito legal e que deveria ter sido lindo. (Devo até desculpas a ele pela minha atitude!) Nunca vi uma pessoa mais desligada do que eu! Só me toquei a respeito quando ele me falou: "- Tá vendo: idéia sua!" Então percebi que ele falava de Max. Sim, do romance! Minha heroína faz um ensaio fotográfico dentro de um trem, que sai da estação Júlio Prestes, rumo a Botucatu. Nessas horas, vejo o quanto sou simplista... O quanto não enxergo o meu lado visionário! O quanto não percebo a minha própria obra! Newton deixou-me muito feliz porque mostrou que leu e não esqueceu do que escrevi naquelas páginas! Foi demais! Em nenhum momento eu havia relacionado a história que criei com o desfile que marcou a São Paulo Fashion Week! Embora os comentários sobre a coleção da Ellus não foram os melhores, a idéia agradou. Bom saber que ela não é inédita! Apenas fez o sentido inverso, já que os modelos chegaram no trem! Isso realmente faz a gente sentir-se antenada... Até mesmo além do tempo! Explicando: Max foi lançado em 2000 e ficou dez anos esperando na gaveta! Bem, antecipar tendência faz parte da minha vida profissional. Dia desses, uma amiga disse ter se lembrado de mim durante suas férias na praia, quando falava com outra amiga sobre os produtos para a pele e os cabelos das pessoas negras. Lembrou-se quando, há muitos anos, eu já dizia que esse seria o grande mercado! Assim como os idosos e os homossexuais. Bem, estou feliz. Isso me mostra que sempre estive ligada no que se passava em minha volta. Mesmo sendo tão dispersiva. Agora, preciso aprender a identificar o que previ! Beijos caipira!
Em nome do amor (Que as garças levem este recado!)
Amo você não pelo que você foi Mas pelo que representa: As risadas que dei, Os sorrisos que esbocei, O medo que superei, Os momentos que vivi, Os sonhos que realizei, E aqueles que projetei...
Amo você para sempre! Justo eu, que defendia não existir "para sempre"!
Amo você pelo silêncio quando preciso E pelas palavras também. Pelos gestos simples, Pelo carinho constante, Pela presença distante, Pela paciência de me ouvir!
Amo você pelo que você é, Não me importando quem você seja: Amo seu jeito de olhar, Seu jeito de falar, de cantar, De tentar fazer poesia que fale de mim!
Amo você tanto e quanto, Que não caberá, jamais, Outro amor em meu coração Que não seja o seu.
Amo há tanto tempo que, Mesmo quando não quero pensar, Lembro de você.
Amo você exatamente porque não sei explicar! Porque surgiu em meio à tempestade Enfrentou comigo a fúria dos ventos E mesmo quando partiu, continuou ao meu lado.
Mesmo quando tentei outras paixões, Não consegui deixar de amar você. Por isso, talvez, elas passaram tão rapidamente: O espaço do amor já estava preenchido em mim.
Amo você e somente você sabe quem é você! Mesmo quando digo que não o amo, Você sabe que minto... E finge acreditar no que digo.
Amo você de um jeito que me completa. Passo muito tempo sem ouvir a sua voz, E, no entanto, sempre ouço a sua canção...
Amo tanto você que, Mesmo passando tanto tempo sem o vir Quando o encontro sinto disparar o coração.
Amo você como ao primeiro amor da infância Amo você com a pureza da emoção Amo você por inteiro Inclusive com as flores que já me trouxe um dia!
Você não precisa vir me visitar Porque sempre está comigo, Mesmo com os espinhos, Os galhos secos, As flores envelhecidas E as dores embutidas.
Véspera de Natal... Várias mulheres, muitas cadeiras em volta de uma enorme mesa, Chesters por temperar, pernil no forno, saladas por fazer e uma profusão de assuntos de dar inveja! Risos, muitos risos... Claro que alguns homens marcavam presença, vez em quando, para beliscar um petisco aqui, tomar uma cervejinha ali, ou simplesmente, bisbilhotar a nossa conversa. Mas o que realmente fez "parar o quarteirão" foi quando começamos a falar de sexo. Note que, a menor idade ali deveria ser uns 27 e a maior, 82! Então, dá pra imaginar o grau de experiência... Uns dos "rapazes" falou alguma coisa sobre "conto de fadas" e foi o que bastou para que o assunto virasse "uma viagem". O clássico escolhido foi Chapeuzinho Vermelho e, é claro, o famoso Lobo Mau! Muitas foram as "sacadas", no entanto, as melhores ficaram por conta das mais velhas... Sim, nós, as mulheres com quase 50 - ou mais! Teve de tudo! Desde as que queriam saber se o tal lobo era mesmo tão viril, àquelas que juravam nem querer saber notícias do "bichinho". Teve até quem disse que de Chapeuzinho Vermelho, não tinha mais nada! nem a capa!... E quem garantiu que o Lobo mau não comia nada! Também teve quem jurou que o talzinho era pedófilo, porque "pegava criancinhas pra fazer mingau"! Na verdade acho até que esse lobo era chegado num leitinho, viu? Outra, chegou a apostar que o seu Lobo, de mau, não tinha mais nada e que, atualmente, andava bonzinho até demais! Ou aquela que estava mais para a fase de sentar o Lobo Mau no colo para dar mingauzinho para ele!... E a que jurou que o seu lobo mau, agora, só comia sopinha! Coitado dos lobos! Só ouviam, indignados! Alguns lá, às vezes, jogavam a culpa no excesso de vodka com limão!Hahahahaha. Engraçado foi uma gritar lá de fora: "se alguém achar um lobo mau, me avisa! Porque agora EU sou vovozinha!"
Bem, o fato é que, apesar de tanta risada, de tanta graça ou palhaçada - cada um dá o nome que quiser nessa democracia da alegria - eu acabei parando para filosofar sobre isso tudo. Sobre a história do Lobo Mau, da Chapeuzinho, da Vovozinha. Do quanto somos ingênuas, sonhadoras e acreditamos no tal Lobo. Ou de quando agimos como o próprio, vestidas em pele de cordeiro. Afinal, também somos "mestres" na sedução! O tempo nos ensina a identificar o Lobo, mas, muitas vezes, fingimos que não sabemos. Aí, depois que ele ataca, nos achamos vítimas! Mas, como ele, estamos sempre à espreita, na caça por uma presa. Um dia, acordamos Vovozinhas. E Lobos-maus não nos causam mais medo. No entanto, continuamos desejando que eles nos vejam e que despertemos o seu apetite. Mas eles deixam de olhar para nós e voltam os seus olhos famintos para as Chapeuzinhos. Quando descobrem e saboreiam o petisco por baixo da capa tentadora - por isso é vermelha: a cor do pecado! - preferem voltar à choupana para comer a vovozinha. O que eles se esquecem é que as vovozinhas agora usam produtos antiidade, praticam esportes, fazem caminhadas, curtem Yoga ou Pilates, adoram uma boa música... E aí, o tal lobo, dança! Porque as vovós, hoje em dia, estão no maior pique! E com certeza, riem muito das Histórias da Carochinha!
P.S: Mas elas não deixam de contá-las, porque a fantasia é necessária às nossas vidas. E afinal, nem todo mundo se desencanta na vida! Bjs. Escritora Caipira.
Ontem, 16 de dezembro, a família reuniu-se para a já tradicional confraternização de final de ano. No encerramento, todos enviaram um Feliz Natal ao meu filho Felipe, que está na Irlanda. Foi demais!
"SINTO MUITO MEUS AMIGOS, MAS EU TENHO QUE DIZER, ESSE AMOR ESTÁ EM CRISE, TEMOS QUE RECONHECER" (Plageando letra de uma canção do Roberto Carlos!)
Em solidariedade a todos os corinthianos, deixo aqui os meus profundos pêsames pelo ocorrido. Quero também lembrar aos meus queridos e amados amigos que tanto me zoaram quando o Palmeiras sofreu o mesmo desatino, que eu disse que, ainda teria o prazer de ver o mesmo acontecer com o Corínthians. Assim, quando o meu PALMEIRAS FOI CAMPEÃO DA SEGUNDONA, ouvi os queridos e amados amigos dizerem: CAMPEÃO DA SEGUNDA DIVISÃO! QUEM QUER COMEMORAR UM TÍTULO DESSES! Eu quis, eu comemorei, eu vibrei. Porque perder dói, mas sair da lama com ombridade é muito mais gostoso! E o Grêmio não precisou humilhar, nem dar "olés", nem fazer dribles engraçadinhos. Só jogou futebol! E olhe lá que foi um futebolzinho bem meia-boca, viu? Esta humilde palmeirense está muito triste, chateada, e plenamente inconsolável neste difícil momento!... ...E TAMBÉM ESTÁ SENDO UMA VERDADEIRA CÍNICA, MENTIROSA E SAFADA, PORQUE NO FUNDO, NO FUNDO, ESTE É O DIA MAIS FELIZ DA MINHA VIDA! E AGORA NAÇÃO CORINTHIANA? INTERESSA O TÍTULO E O TROFÉU DA SEGUNDONA? Sim, porque o mínimo que o time tem que fazer é ser campeão para voltar. Afinal, NÓS VOLTAMOS CAMPEÕES. A não ser que eles se contentem em subir em segundo lugar! Ops! Desculpe-me o trocadilho, mas não deu pra segurar!
-Não precisa ter mais do que o Ensino Médio. -Quem sabe até, só o Fundamental completo! -O importante é que saiba ler, escrever, falar bem, ser desenvolto e comunicativo. -Leia tudo o que vir pela frente. -Assista todos os noticiários possíveis. -Leia as manchetes sobre todos os segmentos. -Monte uma empresa. -Contrate pessoas que precisam do emprego para sobreviver e pague o quanto quiser para elas. -Contrate estagiários: mas só os melhores - aqueles que se destacam nos seus cursos cujas áreas de atuação interessam a sua empresa, também pagando uma miséria. -Quando estiver no auge, com casa própria, chácara, casa na praia, carro do ano, continue com a mesma política de recursos humanos - que nem eram tão humanos assim. -Continue trabalhando, muito! Ou pelo menos, apareça na empresa para mostrar que está lá. -Seja o primeiro a chegar e o último a sair (mesmo que fique "enrolando" nesse período todo!).
Parece simples, não é mesmo? Sim, parece! No entanto, uma receita simplista como esta pode dar certo por algum tempo, mas pode resultar num bolo que cresce muito, fica bonito e na hora de sair do forno, murcha no centro da forma. Não raro, ultrapassa a altura dela nas extremidades, perdendo conteúdo. Em resumo: a receita para enriquecer precisa dos melhores ingredientes, de paciência na manipulação deles, de cuidado para que nenhum seja esquecido, da temperatura certa para o aquecimento, de uma forma do tamanho adequado e de um forno onde as chamas estejam bem distribuídas, ou seja - equilibrado. Portanto, o resultado final dela pode mudar de acordo com quem a prepara. Mesmo que exista uma fórmula que dê certo, nem sempre será o mesmo para todo mundo. O acréscimo de um tempero, de uma essência, de um ingrediente novo, a ousadia em mudar o formato, a coragem de inovar na aparência, podem alterar tudo! Mas, seja qual for a sua maneira de executá-la, lembre-se que o elemento humano será sempre o seu melhor ingredidente. Por isso, invista nele sem medo. Por melhor que seja o seu equipamento, ele não trabalha sozinho: há sempre uma pessoa para operá-lo, mesmo que seja apenas inserindo dados. O plano geral de crescimento citado como exemplo no início do texto deste post poderia até dar certo (já vi isso acontecer), mas seria muito melhor com profissionais recebendo um salário justo. Bem, isto é apenas só mais uma reflexão. Boa semana a todos.
O que muito me entristeceu ontem foi tomar consciência de que, embora lembre da dicção perfeita do meu pai, não consigo mais ouvir, na memória, a sua voz, Não me lembro mais dela! Trinta e nove anos de ausência é realmente muito tempo! E o tempo é cruel com as lembranças. As imagens ficam para sempre, os pensamentos e as lições também, mas a voz, se não for gravada, desaparece. E pensar que eu tinha um disco de 78 rotações, da Carmem Miranda, onde aparecia a voz dele abrindo a apresentação: fora um presente da gravadora! Onde está? Provalvelmente jogado, quebrado ou virou relógio de parede artesanal: minha mãe doou toda a discoteca dele à uma instituição em Sorocaba, numa tarde na qual eu trabalhava, sem me consultar. Eu amava cada um daqueles discos, porque era a única coisa que achava que ficaria para sempre ao meu lado, marcando a presença do meu pai. Que pena!
Ontem, na solenidade de inauguração da Sala FUNDEC, projeto no qual trabalhei nesses últimos quinze dias, tive a feliciade de assistir um concerto da Orquestra Sinfônica de Sorocaba, entre outras belíssimas apresentações. Ao ouvir Vivaldi e Beethoven senti um aperto no peito. como num filme, minha vida passou pela memória. Por algummotivo que desconhece, senti comose estar num lugar como aqule fizesse parte da minha história... Quem sabe? Mas o que mais me comoveu foi a lembrança do meu pai e de toda a família dele: gente de uma cultura e im talento imenso que foi obrigada a viver escondida, no anonimato, porque a sociedade preconceituosa e feróz assim os obrigou. De certa forma, o mundo hoje é muito mais solidário que naquela época. Talvez se vivessem hoje, teriam oportunidades. Mas, não havia espaço quando a juventude fazia parte de suas vidas. Meu tio Hernay era um exímio alfaiate. Tio Laerte era encadernador, gráfico e entendia muito de eletrônica: tinha uma oficina que parecia a do Prof. Pardal, de Disney. Nela, vi nascerem ampliadores fotográficos, relógios de parede à pilha, estações de rádio pirata que usávamos para pura diversão em alguns fins de tardes aos domingos, alianças feitas de moedas (sim, elas continham um pouco de ouro!), ferramentas especiais para o trabalho de manutenção da casa... Já meu pai... Meu pai Aldo tinha uma dicção perfeita. Estudara até o segundo ano de Contabilidade, mas, a doença impedira a continuidade do seu esforço. Ele me ensinava noções de Inglês desde pequena! Tinha muitos, mas muitos discos mesmo! Era locutor de rádio, mas, teve que se contentar em pintar paredes ao sair do Hospital, porque precisava se manter escondido. Era um artista com os pincéis e criara técnicas especiais para fazer barrados - naquela época, usava-se muita cal e tinta à base de óleo, o que provocava machucados profundos nas mãos dele. Minha avó, Cezarina, trabalhara como sapateira, ajudando meu avô, antes que a doença fosse detectada. Fazia um crochê com linha 10 os quais morro de inveja de não conseguir realizar: ainda tenho algumas amostras em casa. E costurava primorosamente. Uma família que se viu obrigada a deixar seu confortável sobrado no bairro Ipiranga, em S. Paulo, para ser aprisionada nos confins de um sanatório! Eles sofreram muito, mas não perderam a dignidade. Refizeram suas vidas, apesar das dificuldades, do preconceito e das dores que sentiam. Por outro lado, na família de minha mãe, minha avó Rosa era a parteira do lugar onde morava, um pequeno sítio distante da cidade. Minha tia Nela, uma bordadeira de primeira e minha mãe, que no futuro trabalharia como enfermeira no Hospital para poder ficar ao lado da minha avó, aprendia violino (curso que não chegou a terminar)... Mas elas também sobreviveram!
Orgulho-me muito de todos eles e agradeço a Deus por ter nascido entre tanta gente forte! Viver fica mais fácil quando olhamos para trás!
Trata-se do exame que fiz na quinta feira, dia oito de novembro.
Gente! Eu me senti uma própria fotografia dentro de um scanner! Aquele aparelho enorme ia e vinha com um visor enorme piscando “scanning”...
Imaginem: um rastreamento de todos os ossos do corpo!
Podem acreditar: é uma invasão de privacidade! Hahahahaha... Literalmente você fica sabendo como está se sentindo por dentro!
Foi divertido. Passaram-me mil idéias pela cabeça – ainda bem que o tal aparelho não lê pensamentos! Havia momentos em que queria rir sozinha dessa idéia maluca de estar sendo ”scaneada”. Um barato!
Bem, já que ando sem assunto e até um tanto quanto sem graça, aqui vai um velho anúncio para matar a saudade do tempo em que criar, era uma condição sinequanon para ser publicitário. Ai, ai, tô ficando saudosista e isso não é nada legal. Que venham outras!rs
Giovana ama Alfredo porque ele é um homem simples. Adora sair à noite, aprecia bons pratos e excelentes vinhos, é um cavalheiro. Nunca foi grosseiro com ela. Mas briga, se preciso! Afinal, uma relação sem discussões é utopia. Do que ela mais gosta nele? Ah, são tantas as opções! Mas, as tardes em que passam na fazenda, deitados na grama olhando as nuvens, é algo fantástico. Juntos, enxergam formas que vão das mais românticas às mais exóticas... Entre uma formação e outra, que apontam rindo como crianças, falam sobre o que esperam da vida e, principalmente, um do outro. São tantas as diferenças que eles terão sempre o que falar, o que ajustar, o que melhorar para que a vida seja uma longa e boa estrada a seguir juntos. Claro que, não apenas nesses momentos eles conversam. Todas as vezes que podem, falam muito. Lentamente, sem pressa. Falam até, no silêncio dos olhares que trocam. Quando estiverem bem velhinhos terão dito tantas coisas - muitas até, esquecido ou repetido - que, após tudo parecer terminado para os outros, ainda restará muito para eles. Porque depois de tanto tempo, há coisas demais para se descobrir sobre a velhice. Coisas que eles não poderiam discutir ou conversar sobre, sem que chegassem até elas. Giovana e Alfredo são felizes assim. Simplemente, felizes. Não importa o que o mundo pense ou fale deles. Não precisam se ajustar ao que está na moda. Vivem de forma a não atrapalhar ninguém, ajudando a quem podem e se amando. E se amando amam aos outros com a mesma força. No fundo, todos podemos viver como eles. Mas alguns têm medo de parecer babacas demais! Talvez seja isso que o mundo perdeu: a forma simples de ver as coisas. A hora certa de realizar cada tarefa, cada ação, cada gesto. Já não tomamos mais o nosso café da manhã direito, não almoçamos direito, nem temos hora para chegar e jantar. Na verdade, planejamos tanto e estrategicamente para as empresas que trabalhamos e não sabemos mais administrar nossas vidas. E a falha não é apenas de cada um: tornou-se um ciclo em ascensão. Começou dentro de uma pessoas e tornou-se cronicamente mundial. Podemo mudar? Claro que sim! Afinal, os melhores planejamentos, os que fazem um empreendimento ser um sucesso, são aqueles passíveis de atualizações. Exatamente aqueles onde puxamos, à lápis ou à caneta - aquelas anotações nos cantos, riscando, não raras vezes, um parágrafo inteiro, só para recomeçar de forma correta. Fica aqui o alerta e a sugestão. Podemos ser como Giovana e Alfredo.
NADA COMO TER A PRÓPRIA PRIMAVERA PARA SAUDAR A NOVA ESTAÇÃO!
Eu disse que tinha uma primavera maravilhosa próxima a minha janela. Hoje, quero apresentá-la a vocês. É interessante como ela colore de lilás a minha sala e aquece com sua cor o meu coração. Ela me acalma. Aproveitem bem o cenário, simples, porém intenso. Ouçam a voz da minha primavera expressa na beleza das suas flores.
Sempre fui eclética. Músicas, filmes, roupas. Nunca tive algo que eu gostasse demais ou de menos... Bem, gosto do Roberto Carlos. Mas também gosto dos irmãos Chitãozinho e Xororó, da dupla Bruno e Marrone... Agora fã, fã mesmo, não sei se fui ou sou. Já gostei muito de Chico Buarque. Gosto de Martinho da Vila e de um bom pagode - aquele, o do Zeca! Gostei de Luiz Airão, Muito de Luiz Vieira, Renato Teixeira, Almir Sater. Até de Fábio Jr! Amoooo Skank e Jota Quest. Internacionalmente vou longe, melho nem falar! Tim Maia! Como posso esquecer de Tim Maia! Ele e a sua divina, maravilhosa:LEVA A canção que um dia, me levou para o mundo dos sonhos e das possibilidades. Que fez-me crer que poderia dar certo, mesmo depois do fim. Mas, foi apenas uma doce ilusão. Com certeza valeu a pena, porque calou na alma. E esta alma, não é nada pequena!
"Foi bom eu ficar com você o ano inteiro Pode crer foi legal te encontrar foi amor verdadeiro É bom acordar com você quando amanhece o dia Dá vontade de te agradar te trazer alegria Tão bom encontrar com você sem ter hora marcada Pra falar de amor baixinho quando é madrugada Tão bom é poder despertar em você fantasias Te envolver, te acender, te ligar, te fazer companhia Leva O meu som contigo, leva E me faz a tua festa Quero ver você feliz É bom quando estou com você numa turma de amigos E depois da canção você fica escutando o que eu digo No carro, na rua, no bar estou sempre contigo Toda vez que você precisar você tem um amigo Estou pro que der e vier conte sempre comigo Pela estrada buscando emoções despertando os sentidos Com você, primavera, verão, no outono ou no inverno Nosso caso de amor tem sabor de um sonho eterno.":
Mas, das músicas da minha vida, duas me emocionam além da conta: Naquela Mesa e Eu Quero, na voz de Sérgio Bitencourt Deixarei com vocês,EU QUERO! A canção que, na minha adolescência, fazia o meu sonho, ao lado do príncipe encantado, parecer real. Eu me orgulhava de desfilar com ele pelas ruas, mostrando que era só dele e ele só meu! Bem, na verdade não era bem assim... Eu era só dele, mas ele... Acho que era da vizinhança inteira!rs. Apreciem:
"Eu quero que você me ame que você me chame quando precisar Eu quero poder ir embora Sem ter dia e hora Pra poder voltar... Eu quero enquanto o tempo passa Que você na raça Saiba me ganhar. Eu quero ter a vida inteira Pra fazer besteira e você perdoar... O que eu sei hoje da vida Até Deus duvida E eu vou te ensinar... Eu sei dizer tudo o queu sinto E até o que eu não sinto pra me disfarçar. Eu sei calar na hora exata eu sei que a dor não mata Mas, pode marcar... Eu sei traçar a minha meta, Ninguém é poeta por saber rimar! E por falar em poesia Já raiou o dia e eu vou te buscar Eu quero, juro, de verdade, Que toda a cidade, Veja eu te levar... Por todos os meus desacminhos Somos tão sozinhos Que o melhor mesmo é se dar. Eu quero que você se dane, Mesmo que eu te engane, É assim que eu sei te amar. É assim que eu sei, que eu sei te amar..."
Este ano, passei muitos dias sentada no sofá da sala, olhando as flores através da janela.
Tenho uma primavera lilás que encanta, mesmo quando não está florida.
Em janeiro, enquanto me recuperava da cirurgia, ela serviu como distração, abrigando pássaros de variadas espécies, que vinham comer minúsculos insetos sobre o telhado de zinco onde está apoiada.
Minha janela é assim: um retrato da vida.
Pelos seus vidros têm passado muitas histórias. Belas e feras, pode-se dizer!
Mas 2007, em particular, surpreendeu-me.
Enquanto convalescia, observei as chuvas fortes do verão. Também testemunhei a forte tempestade de granizo que deixou montes de 40 cm de gelo na terra, propiciando, depois, uma paisagem britânica, ao criar uma névoa densa que alternava entre misteriosa, maravilhosa e assustadora.
Janela e flores observaram cada ponto que eu bordei na lembrancinha que confeccionava para a minha filha, cujo casamento estava marcado para o início de maio.
Aliás, este foi um ano de grandes eventos...
Com o meu retorno ao trabalho, afastei-me da janela, das folhas, das flores e dos pássaros: egoisticamente eu só pensava na minha carreira, no meu futuro e em me recuperar depressa para voltar a dar tudo de mim, porque sabia que, se assim não fosse, perderia o emprego. Pena que não consegui.
Ontem, sentada no mesmo sofá, tornei a deparar-me com a primavera florida. Repleta de botões que estão se abrindo lentamente... Parei por um segundo e o ano voou pela minha mente... Então, lembrei-me das palavras do meu amigo André, sobre a visão de Ignácio de Loyola quando passou por um período difícil em sua vida e dedicou-se a prestar mais atenção às pequenas coisas, aquelas que realmente fazem a diferença na nossa existência.
Às vezes, tenho uma sensação estranha de que não há nada mais para eu fazer aqui. É como se tudo o que eu viesse para realizar já estivesse feito. Como se a missão já estivesse cumprida.
Terei muitos dias para observar o meu pé de primavera através da janela, enquanto aguardo a minha consulta, a marcação da biópsia e o resultado dela. Os médicos estão otimistas. Então, também tenho que ficar! E estarei, com certeza, por muitas vezes ainda, observando o infinito do outro lado da vidraça.
Por enquanto, quero curtir as pequenas e belas coisas que fazem muito pela gente: a família, a casa e todos aqueles detalhes que nem sempre nos preocupamos em observar... O prazer das coisas no lugar, uma nova cor na parede, mais flores na sala, um aroma especial espalhando-se por todos os cômodos, a comida preparada sem pressa, um bom filme, a amizade compartilhada, uma visita às amigas, às vizinhas... Sei lá há quanto tempo eu não ia visitar alguém sem pressa! Ainda lavo roupas aos sábados e domingos achando que a segunda t